sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Delírios Poéticos


Imagem por: ~jump-button

Eu sou o oxigênio heteroátomo errante
No meio de uma massa de carbonos malditos
Vivendo como se fosse um deles
Perdido em meus sentimentos aflitos

Meus pensamentos correm como o elétron
Ao pular de camada em sua jornada natural
Sentindo a ânsia de escrever algo
Que conforme minha alma antissocial

Talvez com algumas doses de álcool
E noites malditas e poéticas
Ao som de músicas depressivas
Venham-me inspirações elétricas

Ao palpitar o coração perdido
Jovem preso a amores frustrados
Sentindo a força de um sentimento
Que o torna o líder dos derrotados

Expressão que outrora culminava
Em noites de ideias trocadas
Hoje tornam apenas confissões
De jovens de vidas trancadas

O que vale então ao gastar horas
Escrevendo algo sem valor
Quando posso então em outra forma
Expressar todo o meu rancor?

Chega! Não suporto minhas contradições
Pois enquanto escrevo meus sofrimentos
Acabo afirmando a conclusão
De que são inúteis pensamentos

Então eis o motivo de escrever:
É fugir de uma realidade
Que esmaga meus sonhos
Com altíssima intensidade!

2 comentários:

  1. {Refazendo o comentário que não foi T.T' }
    Wow, realmente muito bom. Me identifiquei à beça com esse poema, mas só com uma diferença: não tenho inspiração para escrever nada :(
    Continue escrevendo :) que eu sempre lerei :)

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  2. Lembrou-me muito Augusto dos Anjos com uma linguagem marcante e expressiva em termos modernos e até fugindo da forma convencional do lírico. Gostei bastante do teu poema, objetivo, moderno, e plenamente lírico com sua singularidade, parabéns pelo espaço aí,

    e um cordial abraço poeta.

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