terça-feira, 30 de novembro de 2010

Com a corda no pescoço


Imagem por: ~Makotis
Eu sei o meu destino
Eu sei o que irei fazer
E quanto encontrar-me com a corda
Sei que meu destino é morrer

Não ha luz no fim do túnel
Você sabe disso
Mas se você continua entrando
Então é por isso

Você continua marchando
Rumo ao mar
Mesmo que seus pés sangrem
Você quer se afogar

Encha o peito e mergulhe
Até não encontrar mais nada
Só depois de atravessar o túnel
Verás que a vida não vale nada

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Esquizofrenia Poética


Imagem por: ~pazonik
Vou explodir a qualquer momento
Explosão de ódio e sofrimento
Sou só mais um coração acabado
Morto, apodrecido e esquartejado

Venham, cuspam em meu caixão
Falem palavras de baixo calão
Destruam o meu maldito funeral
Tratem-me como um pobre animal

Nada pode deter a bomba em meu peito
Mesmo que me amarrem em meu leito
Culpem essa esquizofrenia poética
Que rompe as paredes da ética

sábado, 20 de novembro de 2010

O pulso não pulsa mais


Imagem por: ~anadesousa
O pulso não pulsa mais
É algo que me satisfaz
Morrer era meu sonho
No fogo a mão eu ponho

Agora que estou morto
E totalmente absorto
Reflito sobre o que passei
E vejo que nada sei

Uma vida marcada de caos
Repleta de pensamentos maus
Agora só há arrependimento
A morte é o meu firmamento

Fecho os olhos e os abro novamente
Tentativas em vão somente
De voltar à vida, reviver
Mas só o que resta é morrer
(No fogo do inferno derreter)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Corações Perdidos


Imagem por: =GeorgiaPeaches

Em uma sociedade psicopata
De ideologia burocrata
Nascem corações perdidos
Imundos e vencidos

Quando a arte se desgasta
Mais que tubo de pasta
Cabem a eles a salvação
De uma arte sem coração

Espalhados por vários cantos
Corroendo-se aos prantos
Fazem parte da exclusão cultural
Muitas vezes até social

De que adianta dotes artísticos
Onde prevalecem os humorísticos
Num país de desdentados
Não sorri o bem humorado

sábado, 13 de novembro de 2010

Desafio dos 7

Vi no Spleen Juice um desafio dos 7, onde vou responder. Quem quiser ler, beleza. Quem não quiser, foda-se.

7 coisas que eu tenho que fazer antes de morrer:

1. Publicar um livro
2. Visitar a Inglaterra
3. Ser reconhecido pelo meu trabalho
4. Ir ao show do Iron Maiden
5. Descobrir o real significado do amor
6. Participar de algum grupo literário
7. Ser realmente feliz

7 coisas que eu mais digo:

1. Foda
2. Porra
3. Ramones
4. Caralho
5. Tenso
6. Pau no cu
7. Poisé

7 coisas que eu faço bem:

1. Escrever
2. Ser depressivo
3. Ficar mais "na minha"
4. Falar besteira
5. Ajudar sempre que possível
6. Ficar nervoso
7. Fazer nada

7 defeitos meus:
(só sete? rs)

1. Ser depressivo
2. Pessimista demais
3. Tímido
4. Indeciso
5. Fraco
6. Preguiçoso
7. Ser muito amigável

7 coisas que eu amo:

1. Os poucos amigos
2. Música (ROCK /,,/)
3. Literatura
4. Minhas coleções (CDs, DVDs, livros...)
5. Brasil
6. Ultrarromantismo
7. Movimentos punk e gótico

7 qualidades:

1. Não sou apenas um na massa
2. Escrevo bem
3. Tenho mente aberta
4. Penso sempre nos outros
5. Inteligente (pelo menos eu acho)
6. Respeito a vida e os demais
7. Sei me adaptar bem ao lugar ou às pessoas

7 pessoas que farão este jogo:
Ninguém :x

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Nove Horas


Imagem por: ~addaen

Ele acordava, levantando-se de um salto na cama desarrumada. Eram nove horas. Passou a mão pelo rosto suado e levantou-se aos poucos, ainda embriagado pelo sono. Demorou-se um pouco ao se vestir, até que ficara completamente pronto e arrumado. Saiu do apartamento e pegou o elevador vazio. Ao sair, notara que o porteiro não estava na guarita, ninguém estava.

Caminhou pelas ruas e viu que tudo estava vazio, apenas os altos prédios, carros modernos, outdoors e todos os objetos da sociedade moderna viviam ali, reinando na paisagem urbana. Mas e as pessoas? Será que todos acordaram atrasados como ele? As casas fechadas, algumas de portas abertas, escancaradas, mas ninguém. Ele continuou seu trajeto feito um zumbi, caminhando pelas ruas desertas, com jornais voando seguindo a trajetória do vento que soprava com força por entre os prédios intactos naquela devastação biológica. Lembrou-se dos tempos de garoto, quando ainda vivia casado com os livros, ao estudar tal bomba que destruiria as pessoas, mas deixaria as coisas intactas. Seria a tal bomba motivo disto?

O sol refletia nas poças d’água proveniente da chuva que ocorrera pela manhã. Ele olhou para o alto, vendo os prédios com seus topos quase inalcançáveis de tão longos. Notou um prédio mais baixo, onde uma moça permanecia sentada na beirada, olhando para baixo como um suicida sendo magneticamente atraído pelo chão. Correu em direção ao prédio, entrando pela porta entreaberta com um empurrão e subindo pelas escadas, tendo em vista que era um prédio pequeno, de poucos andares.

Chegando ao topo, imaginou ter visto uma cruz gigante, mas quando o sol baixou, notou ser a moça, de braços abertos e em pé, esperando o vento lhe empurrar para baixo, indo de encontro ao chão. Correu até ela, puxando-lhe pelas vestes, fazendo-a esbarrar contra si. Sentiu a pele macia e quente da moça, torrada pelo sol. Ela levantou o olhar em direção ao rosto do rapaz, que ainda não entedia aquele momento. A garota gemeu de leve, afastando-se do rapaz, que deu alguns passos para trás, mas voltou a caminhar em direção à moça, que se aproximava mais da beira do prédio, pronta para morrer.

- Não... – soltou o rapaz, com uma voz fraca, como se há anos não falasse.

- É tarde... Adeus... – a moça despedia-se, com uma voz melancólica.

E ela pulou.

Ele acordava, levantando-se de um salto na cama desarrumada. Eram nove horas.

domingo, 7 de novembro de 2010

A piada e o poeta


Imagem por: *BenoitPaille

Qual a diferença entre
A piada e o poeta?
Na piada você ri da desgraça
E o poeta ri na desgraça

sábado, 6 de novembro de 2010

Maioridade


Imagem por: ~Latuff2
Eu não quero mais ser menor de idade
E continuar vivendo sem liberdade
Eu não quero mais ser antissocial
Por não ter meu direito judicial

Eu fico esperando a minha alforria
Enquanto alguns dizem: "-Sorria!
Que a infância é a melhor fase, não tem jeito"
Mas que merda eu faço sem meu direito?

Quero sair sem dar satisfação
Seguir o que manda o coração
Mandar para a puta que pariu

Qualquer um que me atrapalhar
Morrer aos vinte e sete sem amar
Do que ser uma merda de amante senil

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

À sociedade, com carinho, que se foda


Imagem por: ~deadyet

Enfrente seus medos mortais
Que lhe rasgam feito animais
Corroem a sua mente surreal
Um medo antissocial

Você pode tentar se esconder
Mas seu medo vai lhe percorrer
Posso-me autoproclamar sociável
Mas meu ódio pela sociedade continuará estável

Por mais que ela tente me esganar
A sociedade não pode me matar
Por isso meu poema existe

Serve como meu escudo poético
Contra o opressor antiético
Como posso sorrir diante de uma sociedade triste?

por: Lima Júnior