sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Guns 'n' Psychologists


Imagem por: ~cherrykizZ

Escrevo este poema enquanto tenho fome
Banhado pela lua que cresce em minha janela
Ninguém entende que não quero andar por estas ruas
Com essas pessoas que me olham com seus olhos grandes

Gasto minhas calorias de trabalho e potência
Escrevendo textos cada vez mais depressivos
Devido à minha aversão pseudo-social
Pseudo-alguma-coisa

Pois aquele que me desfere a facada final
Não é tu, Brutus, ó meu filho
Mas sim tu, maldita sociedade
De pessoas e pessoas

Guardem uma vaguinha aí no inferno
Sim, eu sei que está bem lotado
Mas logo estarei chegando...

Armas ou psicólogos
Qual devo escolher?
O que estiver mais próximo...

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Elevador Nosso De Cada Dia


Imagem por: ~GoncaloBorgesDias

Cansado depois do oitavo cigarro enquanto assistia aos programas fétidos de domingo, ele levantou-se de sua poltrona e abriu a porta do apartamento, saindo. Entrou no elevador, apertando o botão para o térreo e então se se encostou à parede, olhando para o visor que indicava o andar em que se encontrava; números mudando com certa frequência. Chegando ao térreo, a porta do elevador abriu e ele notou que o lugar estava vazio. Olhou para a porta lá no final do salão, com a luz da tarde iluminando o lugar. Apertou novamente o botão, agora para o último andar.

Sentou-se no chão do elevador, abraçando suas pernas. Ficou por muito tempo assim, subindo e descendo sentado naquele chão sujo e frio com as marcas de sapato daqueles que saiam cedo para o trabalho. Depois de certo tempo, voltou para seu apartamento. Minutos depois, uma garota entrou no mesmo elevador portando uma pistola e cometendo suicídio de frente ao espelho. Os botões ficaram manchados de sangue.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sociedade dos Poetas Porcos


Imagem por: ~LaranjaMechanic
Poema nosso de cada dia
Perdoai as ofensas da literatura
Não entendes a situação?
Criamos o poeta-criatura!

Essa poesia de hoje em dia
Não passa de fachada financeira
Não adianta comer poesia
Mal vale gastar frigideira

Cada poema vale um real
Encha o livro deles então!
Pra enganar os pobres tolos
Fale de amor ou paixão

Pois é isso que as pessoas
Leem em suas casas agora
Sabe como é a vida moderna
Pra ler coisa boa não tem hora

Faça então um best-seller!
Coisa do momento, mas que rende
E ainda fica bastante reconhecido
Por cada livro que vende

No fim das contas eu sei
Que a poesia virou dinheiro
Moeda de troca desses poetas
Poetas porcos de chiqueiro

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Lampião Modernizado


Imagem por: ~DarkArlequin
Meus dias frustrados
De Lampião modernizado
Pega teu facão!
Acenda teu cigarro!
Hoje em dia não ando a pé
Só ônibus ou carro

Maria bonita morreu
Agora sou apenas eu
Meu bando nunca existiu
Cangaceiro que é cangaceiro vive só
Arrastando sua chinela no chão
Limpando a algibeira do pó

Hoje coronel ainda existe
E a pobreza ainda persiste
Os macacos agora mais arrumados
Mas a mesma macaquice de outrora
Pega tua arma, soldado!
Mata um bandido a cada hora

E assim vive o Lampião
De caneta e papel na mão
Tua única arma!
Teu único firmamento
Nessa terra arrasada
Livrando do sofrimento.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mãe Natureza


Imagem por: ~DigitalPhantasy

Mãe Natureza
Seus seios sedutores
São morros e relevos
Sua pele é macia
Coberta de plantas e animais

Mãe Natureza
Seus olhos brilhantes
Minerais preciosos
Escorrendo lágrimas
De rios e lagos

Mãe Natureza
Sua voz atraente
São cantos dos pássaros
E seus gemidos excitados
São uivos noturnos

Mãe Natureza
Cipós e árvores
Trançam seus cabelos
Perfumados docemente
Pelo perfume das rosas

Mãe Natureza
Sua respiração ofegante
Das ventanias furiosas
Suas pernas trêmulas
Como dois terremotos

Mãe Natureza
Seu suor excessivo
Vindo das chuvas
Seu gozo ofegante
Do vulcão em erupção

Mãe Natureza
Quero adentrar teu corpo
De cavernas e grutas
Procriar contigo
Híbridos animais e homens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dor de Existir


Shinji Ikari, anime Evangelion

Eu existo.
Mas, ao mesmo tempo, eu também não existo.
Porque a minha existência é insignificante.
É. Insignificante.

Então... Como algo que existe pode coexistir com a sua inexistência?
E vice-versa?
Tudo tão confuso.

Não importa.
Sim, não importa!
Só o fato de você existir, independente da coexistência de inexistência
Significa muito! Muito mesmo!

Mas ainda sim dói.
Dói saber que toda a sua existência independente da coexistência, enfim!
Não vale nada.

Não vale nada.
É isso!
A real resposta para toda essa existência e inexistência é essa:
Não vale nada.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Poeta no inferno com diamantes


Imagem de um video dos Bealtes
Ponha aquela arma em sua cabeça
Puxe o gatilho quantas vezes quiser
Nenhuma bala irá sair
Está descarregada

Você pode correr o quanto puder
Neste labirinto de construções
Mas a euforia estimulada
Não vai te fazer feliz

Ouça aquela música bem depressiva
Imagine-se preso em uma corda
Que lhe aperta aos poucos
Esganando-te

É assim que se mata a alma
Ainda de corpo vivo
Melhor que estado vegetativo
Poeta no inferno com diamantes