sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Críticas de um homem do terceiro milênio

Imagem por: ~YuriBeltran

O homem moderno senta todos os dias em frente ao computador, digita sem parar e nunca para pra pensar é um mísero escravo de suas próprias invenções. Escuta as músicas feitas para afastar suas ideias, age conforme lhe é ordenado. Os mais revoltados, reclamam sem sair do lugar, alguns até tentam, mas descobrem que são apenas peças do tabuleiro. Escutam músicas fora do padrão, algumas mais velhas que eles mesmos, mas não percebem que seus ídolos foram milhões de vezes mais livres e por isso jamais entenderão o significado das músicas, apenas balançam a cabeça achando que é legal, mas não sabem que o mundo está além das portas dos shopping centers.

 Somos todos escravos de nós mesmos. Não temos mais nenhum Vietnam, quer dizer, até temos, mas na nova era ao menos temos outras coisas pra nos distrair e deixar de lutar por algo. O negócio não é comer cu e boceta, mas se aquietar e deixar rolar. Crescemos vendo desenhos na televisão, mas esquecemos dos heróis e só nos lembramos da porrada.

Por: Lima Júnior

domingo, 25 de dezembro de 2011

Redundância

Imagem por: ~dybern

Enquanto eu aqui escrevo,
Novos planetas surgem,
Galáxias morrem,
Supernovas acontecem,
Cometas viajam,
A Terra gira ao redor do Sol,
Países entram em guerra,
Crianças morrem de fome
E eu apenas preocupado em ver teus olhos novamente...
Amor egoísta, eterna redundância.

Por: Lima Júnior

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um doce


Imagem por: *Edonist-Girl

 Um doce! Sim, você me disse naquela noite que eu era um doce, mas não imagina o quanto eu fiquei feliz ao ouvir da tua boca essa palavra de quatro letras. Pena que você não disse aquela outra palavrinha que faz qualquer um estremecer e tem a mesma quantidade de letras: amor.

 Mas não tem problema! Continuarei persistindo até que você troque doce por fofo, belo, ou qualquer outra palavra com quatro letras, até chegar à tão sonhada amor. Nem que seja para dizer que sou um amor, pois o que eu mais quero nessa vida é ouvir em alto e bom som as seguintes palavras saindo dos teus lindos lábios que me deixam maluco: você é o meu amor.

Por: Lima Júnior

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pós-Conceito

Europa apoiada pela África e América de William Blake

Disseram que no nordeste
Só tem seca, morte e peste
Mas é o povo do sudeste
Que aqui nas férias investe

Disseram que no Brasil
Nenhum índio jamais sorriu
Frente ao cano do fuzil
Morto pelo homem civil

Disseram que não existe raça
Mas quem sempre pegou na massa
Foi o negro que logo passa
No sinal pedindo uma graça

Por: Lima Júnior

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A minha última aula

Hoje foi o meu último dia de aula no colégio. Esse futuro incerto de universitário me consome em uma profunda depressão, a ânsia e o medo de uma nova vida percorrem minhas veias mais que o meu próprio sangue. Sentirei saudades dos professores engraçados, amigáveis e até mesmo dos mais carrancudos e sonolentos. Também sentirei saudades da biblioteca, apesar de raramente alugar algum livro pela simples falta de vontade que me leva ao arrependimento máximo. Sentirei falta dos meus colegas, apesar de jamais ter falado com vários, no máximo conversado algumas palavras, mas que serviram para a formação da minha vida. Dos grandes amigos que agora não sei se irei vê-los com ao menos a metade da frequência que os via durante a escola, pois cada um seguirá o seu rumo e, mesmo a amizade mais forte, sofre com a distância; não acaba, mas sofre e muito.

Mas o que me fará mais falta será de mim mesmo. Sim, pois a cada ano eu mudo, sou um novo ser, homo sapiens mutabilis como todos os outros. E nesse último ano de colegial eu fui mais feliz, um ser mais humano e mais poético. Amei, sorri, brinquei e me diverti. Ao menos fingi isso tudo, guardando minhas lástimas apenas para mim nos momentos de solidão total, que apesar de durarem bastante tempo, foram apagados pelas pequenas e boas lembranças.

Obrigado a todos que me fizeram ser cada dia mais eu mesmo, que me fizeram ver que valeu a pena viver esses 365 dias do ano como se fossem apenas um, e que me fizeram ver que o grande desafio não é o vestibular, mas ser feliz.


Por: Lima Júnior

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Malditas Memórias

Imagem por: ~nailass

A noite cai e junto vem à mente
Memórias que me doem no peito
Porque a tristeza do homem está em lembrar

Salve aquele que apaga suas memórias
Como quem apaga a caixa de e-mails!
Privando-se assim das dores emocionais
Que doem infinitamente mais que qualquer membro decepado
Ou outra qualquer dor física insana.

Pois as dores emocionais ficam nas lembranças
E doem do nascimento até a morte
Sem nenhum sedativo que não seja o fim da existência
Do homo sapiens dolorido.

Por: Lima Júnior

sábado, 19 de novembro de 2011

Balanceamento Poético

Imagem por: ~tonysandoval

A regra que balanceia a minha vida
É de dez pra um:
Dez dias de tristeza
Para cada dia de felicidade.
Vale a pena sofrer por dez dias
Para ter você ao meu lado por um?

Por: Lima Júnior

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Julgado Sem Sentido

Imagem por: ~sam4q2

Ouço o som que vem das trombetas do infinito
Trazendo a novidade que desce das montanhas
Tão altas que me tornam um mero granito
Deixando-me trêmulo até as entranhas

Eis que o som invade os meus ouvidos
Cada nota é uma frase vinda do Julgamento
Avisando-me que cada um dos meus sentidos
Será destruído pela ordem do Firmamento

Eu nego! Mas tenho poucas horas de existência!
O próximo a perecer será o ato da fala
Mas antes que eu possa pedir clemência
Sinto uma força que facilmente me cala

Foge, moribundo! Tu ainda tens três!
Mas antes que eu possa correr
Minhas pernas, como quando caem os Reis
Dos seus tronos, fazem-me descer

E eu desço aos confins do inferno
Com toda aquela visão assustadora
Do pavor e do caos eterno
Sou facilmente cego pela força de outrora

Eis que me sobra apenas o olfato
E, para o único que não merece,
É dado para mim o castigo nato
Para todo poeta que perece

Deixaram-me na tormenta
De sentir o último aroma
Aquele sabor de menta
Que minha amada usou em Roma

Por: Lima Júnior

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Darwinismo Antissocial

Imagem por: ~manivo

No meu peito a angústia corrói
Ao ver meus irmãos ex-primatas
Lutando entre si - e como dói
Homo sapiens! Tens prazer enquanto matas?

Enquanto todos os outros animais
Tem a tendência natural de se ajudar
Nós, primatas que nos dizemos racionais
Temos o prazer nato em nos matar

Todos competem pela sua existência
O homem compete pelo prazer
E ainda explica na maldita ciência
Que é natural de todo homem fazer o outro sofrer

Quisera eu ter nascido um peixe ou pato
Melhor que nascer como um ser humano
Descumprindo a regra do homo sapiens nato
Vou tentando cada dia ser mais desumano

Por: Lima Júnior

domingo, 16 de outubro de 2011

Farpas de Sangue

Imagem por: ~KissMeAtApocalypse

Aquilo que anda roendo o meu coração
Não é o cupim que rói o meu armário
É um sentimento de total negação
Que faz sentir-me um otário

As farpas que caem do meu peito
Dissolvem-se em lágrimas de sangue
Sinto-me perdido, deitado em meu leito
É como afundar o meu braço no mangue

E eu tento em vão solucionar minha dor
Ouvindo algo que me fizesse refletir
Qualquer coisa que me fizesse sorrir

Seria pra mim um grande favor
Mas não vejo nada que me faça mudar
Só há sangue na mesa de jantar

Por: Lima Júnior

domingo, 9 de outubro de 2011

Soneto feito antes das duas da madrugada

Imagem por: *Nachan

O frio da madrugada me faz tremer os ossos,
Eu tento escrever algo para despertar meu sono,
Assim como o sorriso é o repelente do abandono
E a fruta protege seus caroços.

É noite! Faço companhia ao morcego,
Ao fantasma e aos vermes do porão.
Mesmo que eu leia o alcorão,
Continuarei me sentindo um cego.

Eis que a rima sai com tamanha facilidade
Assim como o filete de sangue que jorra ao me cortar.
Cada verso faz parte da numeração da minha identidade

Cada palavra é uma bala a me fuzilar
O que escrevo torna-se uma arma apontada para a minha testa
Pois a solidão e a poesia são convidadas de honra da minha festa

Por: Lima Júnior

sábado, 17 de setembro de 2011

Fim da Semana

Vão fazer cem anos

Duzentos de independência

E nada mudou.

Os mesmos rostos,

Os mesmos atos,

As mesmas guerras

E as mesmas marcas registradas


Querem fazer dezoito

Mas dezoito para quê?

Para ter a liberdade de morrer?


Por: Lima Júnior

domingo, 28 de agosto de 2011

Panis et Coca-Cola


Imagem por: ~789-purple-stars

Eu nunca entendi as regras da poesia
Assim como as regras da sociedade
Que foram criadas para serem burladas
São gravetos fáceis de quebrarmos

E assim caminha a humanidade
Sempre fodendo com o mais próximo
Inventando sempre algo novo no mercado
Para usarmos até chegar à vez do tédio

Os anos passam, as caras são novas
Mas a miséria é sempre a mesma
O apresentador faz o mesmo discurso
Para algo que já sabemos o final

Porque se você parar pra pensar
Estará desempregado.


Por: Lima Júnior

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Fome dos Zeros

Imagem por: ~renoZero

Eu janto o pão nosso de cada dia
Que pastor nenhum suou pra me dar
A sua falta de transa não é nada
Comparada com a falta de comida dos outros

Todos querem morar em Paris
E saborear a culinária francesa
Mas quem tem coragem de ir à África
Provar da culinária amassada do diabo?

Por: Lima Júnior

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Resenha: A Arte de Escrever


As críticas aos escritores que Schopenhauer faz nesse livro são ótimas e servem até hoje, tendo em vista que a literatura nos dias de hoje virou tão comercial quanto na época do autor. Destaco também o fato dele defender o aprendizado de novas línguas, que essencialmente importante e os argumentos dados por Schopenhauer são bem válidos.

O ponto fraco do livro são os pensamentos de superioridade que Schopenhauer tem; fato muito comum em outros escritores alemães, como Nietzsche, por exemplo. Isso desgasta o livro, mas não posso culpá-lo, era algo normal naquela época e talvez até hoje, mas menos explorado depois dos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Aqui neste livro, Schopenhauer ataca ferozmente Hegel e seus seguidores, tornando uma leitura muito parcial e pessoal, deixando o leitor meio entediado com toda essa fúria. Se o leitor for um fã de Hegel, irá odiar este livro (o que, no meu caso, ainda bem que não ocorreu, já que não sou nenhum seguidor de Hegel).

Nota: 7

sábado, 30 de julho de 2011

Notas em Sangue


Imagem por: ~PeanutButterSocks

Caro leitor
Se vier aqui em busca de poemas melosos
Falando de uma musa inalcançável
Ou de uma frustração amorosa

Estará enganado.
Passe a página, vá assistir um seriado.

Eu não escrevo para agradar essa juventude frustrada
Buscando auxílio em falsos ídolos
Que nunca fizeram porra nenhuma por eles
Tampouco para agradar críticos literários
Que usam os livros para limparem suas bundas

Vim aqui para expressar todo o meu ódio perante a sociedade
Toda a minha angústia, todo o meu desespero
Em ver que a sociedade destrói aqueles que, como eu
São contrários a ela, não nadam conforme a correnteza

E eu não quero nadar a favor da correnteza!
Porque ela está infestada de lodo
Um lodo que afeta todos que nadam com ela
Todos nadam sem se questionar porque nadam
Todos estão se afogando nas águas da sociedade

Mas eu cuspo esse lodo ardente
Cuspo e digo "Não!" para todos que bebem deste lodo
Que mancham seus corações com as mazelas de uma sociedade transtornada
Uma sociedade que criou vida e come a vida das pessoas

Este poeta está cansado de falar e não ser escutado
Pois ele não diz o que todos querem
Não diz que tudo vai dar certo, que a sua transa vai ser boa
Que o dia de amanhã será sempre melhor
Porque no fim das contas, não será
Nunca será!


Por: Lima Júnior

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ich hab's gewagt


Imagem por: *berkozturk

Estou farto.
Farto de escrever poemas de moça.
Reclamar de meus amores frustrados
E de uma vida fadada ao tédio
E à frustração.

Quero escrever sobre o mundo.
Sobre a miséria que assola a terra
E alimenta as desgraças da sociedade.
E criticar tudo que o homem faz
Com o sangue e o suor de seu semelhante

Quero apontar meu dedo sujo e trêmulo
Para aquele deus que nos esqueceu
E dizer "Foda-se você!
E todo homo sapiens que tu criaste!"

Quero mostrar que num copo de cachaça
Há muito mais poesia que num verso
Cantando por um rapaz que nunca segurou uma enxada
E nunca lutou com unhas e dentes por seu alimento

Não quero mais ser um lorde fictício
Suplicando pela atenção dos que me esquecem
Brincando com os dedos numa noite de tédio
Imaginando tudo aquilo que eu perdi

Não quero mais ser eu.
Quero ser o homem que luta por seu espaço
No meio de uma penca de bastardos
Falando merdas que soam chocolate nos ouvidos dos outros

Outros esses que são um bando de otários
Esquecendo suas vidas por um pênis ou por uma vagina
Por alguém para dizer que é seu
Sem notar que eles são escravos da vida

Da vida que não está nem aí para seus lamentos
Pois o tempo corre e não espera por ninguém
Ele não espera nem por si
Ele simplesmente não espera

Quero escrever manifestos
Quero escrever tudo que vier à mente
Sem se preocupar com nada
Apenas dizendo: Eu ousei!

Por: Lima Júnior

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Bulimia Poética


Imagem por: ~blossomriotproof

Vomito tantas palavras por dia
Elas representam tudo aqui que consumo
Tudo o que li e tudo o que eu sinto
Mas haverá alguma pedra de ouro
No meio de tanto vômito
E tanto resto de palavras más digeridas?

Vomito para expelir todo aprendizado
Que aprendi durante esses anos
Mas que nada me serviu na vida
Sinto o gosto amargo das palavras
Passando pela minha boca seca
Valeu a pena tudo isso?


Por: Lima Júnior

sábado, 16 de julho de 2011

Nunca fui uma brasa


Imagem por: ~meitanei

Agradeço ao senhor leitor
Por sempre ouvir os meus lamentos
Jesus Cristo é o senhor
Mas, de fato, nunca fui uma brasa

Não quero mais cansar teus ouvidos
Esqueça esse poeta que já foi lorde
E hoje é apenas um número de RG

Esqueça essa brasa e deixe-a
Apagar até não restar mais nada

Esqueça.

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Versos Luciferinos


Imagem por: ~MrWizard44

Em qual deus devo acreditar?
Quanto sangue mais eles irão derramar?
Quero andar de mãos dadas com qualquer entidade
Buscar, junto a elas, a minha real identidade
Abraçarei Lúcifer, jogarei damas com Jesus
Não importa se a sociedade quiser me jogar na cruz

Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei
Aleister Crowley foi incompreendido, eu sei
Assim como Jesus Cristo foi pelos romanos
E hoje ignorado pelos amigos muçulmanos
Somos todos iguais, diferentes apenas no nome
(No profeta, no dinheiro, na raça, na fome)

Não queime a bíblia, amigo ateu
O ódio que em ti desperta, também é meu
Mas se tu oprimes a opinião dos demais
Tu és tão cristão quanto o outro, ou até mais!
Sempre a achar que estamos sempre certos
Os homens não passam de animais incertos

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

domingo, 12 de junho de 2011

A face da depressão


Imagem por: *Anuk

Todos os dias minha face eu ofereço
Para a sociedade me espancar
Esse é o lema de quem não tem apreço
Por nada; um simples ser a respirar

Fico aqui sozinho com meus poemas
Gastando os oxigênios do ambiente
Para criar alguns textos com temas
Que corroem e estupram a minha mente

Eu digo "foda se" para todos
Pois é o que todos dizem para mim
Não estou nem aí para os bons modos

Ninguém nunca está quando o dia é ruim
Mas dias ruins viraram a minha rotina
Assim como gozar é para as putas da esquina

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Lisérgico


Imagem por: ~mauroforcadell

É tarde! O garoto percebe que as paredes escurecem com um lodo verde-escuro materializando-se no lugar da tinta. Ele sente o sangue sair por difusão dos seus pulsos, formando rostos no ar, cujos quais ecoavam risos que soavam como música. Sentia o cheiro das suas hemácias em processo de hemólise. O despertador tocou. Acabou a morfina.


Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Meus melhores amigos


Imagem por: ~isnevertimeatall

Meus melhores amigos são aqueles
Que me seguem no caixão
Que comerão as minhas peles
E banhar-se-ão no meu coração

É claro que falo deles - os vermes
Aqueles que destroem a minha face
Aqueles que corroem minhas epidermes
Os únicos à quem digo "Me abrace!"

Recorro ao meu sarcófago
Nos momentos mais fatais
Para me tornar um só

Como eles, serei necrófago
Provarei dos animais
Assim como provaram do meu pó


Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

sábado, 4 de junho de 2011

Ligação Comedrosa


Imagem por: ~filipeaotn

São dois átomos iguais
Tão iguais que se repelem
Mas quem sabe um dia
Eles irão se esbarrar na nuvem eletrônica
E serão felizes para sempre
Enquanto durarem os estoques


Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quimera Vida


Imagem por: ~Yumeragi-chan

Este garoto cresceu e precisa de um novo corpo.
Acorda! Que este lorde já não é mais o mesmo...
Cada segundo é uma nova vida
E os meus alvéolos não estão cansados de viver

Então tosse! Que a cada escarro que dou eu mato
O passado de um Édito esquizofrênico
E dou espaço para um novo oxigênio
Cheio de vida nova

Que estes radicais livres são naturais
De uma entalpia normal de se viver
Quem dera que eu fosse todo dia uma nova quimera
Nesse jardim chamado cotidiano


Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Céus


Imagem por: Jéssyca
De hoje em diante
Olharei para o céu
E somente para o céu
Porque nada que o homem faça
Pode ser tão belo quanto o céu
Seus olhos


Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mari"eu"nete


Imagem por: ~Satsu-Kururugi

Eu sou uma marionete
Mande-me sorrir e eu sorrirei
Mande-me morrer e eu morrerei
Eu posso viver sem estas cordas
Mas não tenho forças para quebra-las
Então só o que posso fazer é dançar
Conforme o meu mestre mandar...

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Versos Malfeitos


Imagem por: *gabrielmanga

O senhor é meu pastor
Tudo me faltará
O ser humano destruidor
A paz nunca reinará

A sociedade me devora
Toda vez que eu me aproximo
Sou infeliz a toda hora
Mas nenhum segundo eu me animo

Nunca aprendi técnicas de poesia
Versos decassílabos ou alexandrinos
Só o que sei é que a burguesia
Trata o povo como equinos

Sei que meus versos não tem nexo
São apenas confissões de um adolescente
Que só pensa em coisas do sexo
Nas aulas de calor sensível e latente

Por: Lima Júnior

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pedras Malditas


Imagem por: ~thyagon

I

No meio da avenida tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio da avenida
Abaixei-me para pegá-la
Fui atropelado por um caminhão

II

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
O que fazer com as pedras no caminho?
Fumá-las com o cachimbo

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Another Poem In The Wall

Em homenagem ao álbum The Wall, da banda Pink Floyd

Ser bom não é o bastante
Preciso ser lembrado
Isso me é tão empolgante
Ao mesmo tempo em que frustrado

Eu não quero ficar em cima do muro
Preciso estar dentro ou fora
Mas é melhor viver num mundo duro
Ou numa mente onde não existe hora?

Ainda não descobri o martelo
Capaz de destruir esta parede
Mais fácil me matar de um jeito singelo
Estrangulado pelo punho da rede

Quem sou eu?
Quem é esse cara que agora escreve
Será que ele já morreu
Ou apenas espera que alguém lhe leve?


Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Zero

Referência à música Zero, do Smashing Pumpkins.



Você é minha única
Eu sou seu zero
Pois para você
Eu sou um nada

Meu amor por você
É mais de oito mil
Mas ele não chega a ser
Um número perfeito

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)

sábado, 9 de abril de 2011

Eu não sou um bom poeta

Imagem por: *quemas
Estou cansado dos falsos elogios
Que são usados para acalmar meu ego
Mas que no fim
Acabam me destruindo por dentro

Eu não sou um bom poeta
Eu não sou bom em nada que faço
E nunca serei

Não suporto mais este dilema
Toda essa frustração
Escrever ou não escrever
Eis a minha questão

Então me diga o que devo fazer
Se acabo com tudo de uma vez
Ou continuo nessa estrada de ilusão

Por: Lima Júnior

domingo, 3 de abril de 2011

Ração Humana


Imagem por: ~killerfeeling

Meu gato irá ficar enquanto houver ração
Você irá me amar enquanto eu te dar meu coração
Onde está a justiça neste mundo cão?
Quem primeiro irá acabar: a ração ou meu coração?

Eu sou sua ração
E você é meu gato e meu coração
Mas quando tens uma fome de cão
Acaba comendo o meu coração

Por: Lima Júnior, Lorde Édito

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vende-se este poema


Imagem por: ~EduEST

Estou cansado destes escritores repetidos
Que fazem as mesmas coisas
Enzima que todo dia quebra a mesma proteína
Dois carbonos e um poema

Poeta criado para vencer concursos
Escrever sobre amores não concretizados
Poemas feitos para perfis em redes sociais
Ou para conquistar aquela namoradinha

Quero que volte a poesia revolucionária
(Se é que ela realmente existiu)
Que sejam queimados esses best-sellers
Porque a escrita não foi criada como passatempo

Por: Lima Júnior / Lorde Édito

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vírus


Imagem por: ~Stianbl

Invadindo o seu sistema
O sistema da sociedade
Penetrando na tua epiderme
Feita de sonhos e desejos

Eis que surgem os teus anticorpos
Expulsam-me do paraíso
Maldito sistema imunológico

A bactéria Homo sapiens perversus
Produz o câncer sociedade
Esqueceram-se de criar o remédio
Que o desidrata até o pus

Essas malditas etapas de meiose
Não vão mudar minha vida
De vírus figurante


Por: Lima Júnior, L. Édito

segunda-feira, 14 de março de 2011

Paratodos


Imagem por: *mr-largo


Para o colégio
Eu sou um número de aprovados
Para o Estado
Eu sou um número de votos
Para a mídia
Eu sou um número de telespectadores
Para a internet
Eu sou um número qualquer nas redes sociais
Para você
Eu sou um número de poemas depressivos
Para mim
Eu sou um número à mais na contagem de almas perdidas.

Por: Lima Júnior

domingo, 13 de março de 2011

Platônico


Imagem por: ~f-souza

Ele pôde sentir o gozo dela por entre suas pernas e o gemido alto que ela dera parecia soar como uma perfeita música em seus ouvidos. Abraçou-a com força, sentindo os cabelos dela contra o seu rosto suado. Tinham um perfume ótimo que o deixava calmo demais, praticamente nas nuvens. Seus corpos colados de suor pareciam ser apenas um, duas almas unidas por um amontoado de carne e ossos. Ela sorriu e mordeu a orelha dele de leve, enquanto ele retribuía o sorriso e a beijava na bochecha. O rapaz foi aos poucos tirando o corpo de cima dela, triste pela separação, queria continuar ali o resto de suas vidas, unidos em corpo e alma. Deitou-se ao lado dela, segurando-lhe a mão com carinho.

- Você promete estar ao meu lado até o fim de nossas vidas? – perguntava o rapaz.

- Só até o fim de nossas vidas?

O sol bateu na janela, iluminando o quarto. Ele acordou, e tudo não passou de um sonho.


Por: Lima Júnior, L. Édito