sábado, 30 de julho de 2011

Notas em Sangue


Imagem por: ~PeanutButterSocks

Caro leitor
Se vier aqui em busca de poemas melosos
Falando de uma musa inalcançável
Ou de uma frustração amorosa

Estará enganado.
Passe a página, vá assistir um seriado.

Eu não escrevo para agradar essa juventude frustrada
Buscando auxílio em falsos ídolos
Que nunca fizeram porra nenhuma por eles
Tampouco para agradar críticos literários
Que usam os livros para limparem suas bundas

Vim aqui para expressar todo o meu ódio perante a sociedade
Toda a minha angústia, todo o meu desespero
Em ver que a sociedade destrói aqueles que, como eu
São contrários a ela, não nadam conforme a correnteza

E eu não quero nadar a favor da correnteza!
Porque ela está infestada de lodo
Um lodo que afeta todos que nadam com ela
Todos nadam sem se questionar porque nadam
Todos estão se afogando nas águas da sociedade

Mas eu cuspo esse lodo ardente
Cuspo e digo "Não!" para todos que bebem deste lodo
Que mancham seus corações com as mazelas de uma sociedade transtornada
Uma sociedade que criou vida e come a vida das pessoas

Este poeta está cansado de falar e não ser escutado
Pois ele não diz o que todos querem
Não diz que tudo vai dar certo, que a sua transa vai ser boa
Que o dia de amanhã será sempre melhor
Porque no fim das contas, não será
Nunca será!


Por: Lima Júnior

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ich hab's gewagt


Imagem por: *berkozturk

Estou farto.
Farto de escrever poemas de moça.
Reclamar de meus amores frustrados
E de uma vida fadada ao tédio
E à frustração.

Quero escrever sobre o mundo.
Sobre a miséria que assola a terra
E alimenta as desgraças da sociedade.
E criticar tudo que o homem faz
Com o sangue e o suor de seu semelhante

Quero apontar meu dedo sujo e trêmulo
Para aquele deus que nos esqueceu
E dizer "Foda-se você!
E todo homo sapiens que tu criaste!"

Quero mostrar que num copo de cachaça
Há muito mais poesia que num verso
Cantando por um rapaz que nunca segurou uma enxada
E nunca lutou com unhas e dentes por seu alimento

Não quero mais ser um lorde fictício
Suplicando pela atenção dos que me esquecem
Brincando com os dedos numa noite de tédio
Imaginando tudo aquilo que eu perdi

Não quero mais ser eu.
Quero ser o homem que luta por seu espaço
No meio de uma penca de bastardos
Falando merdas que soam chocolate nos ouvidos dos outros

Outros esses que são um bando de otários
Esquecendo suas vidas por um pênis ou por uma vagina
Por alguém para dizer que é seu
Sem notar que eles são escravos da vida

Da vida que não está nem aí para seus lamentos
Pois o tempo corre e não espera por ninguém
Ele não espera nem por si
Ele simplesmente não espera

Quero escrever manifestos
Quero escrever tudo que vier à mente
Sem se preocupar com nada
Apenas dizendo: Eu ousei!

Por: Lima Júnior

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Bulimia Poética


Imagem por: ~blossomriotproof

Vomito tantas palavras por dia
Elas representam tudo aqui que consumo
Tudo o que li e tudo o que eu sinto
Mas haverá alguma pedra de ouro
No meio de tanto vômito
E tanto resto de palavras más digeridas?

Vomito para expelir todo aprendizado
Que aprendi durante esses anos
Mas que nada me serviu na vida
Sinto o gosto amargo das palavras
Passando pela minha boca seca
Valeu a pena tudo isso?


Por: Lima Júnior

sábado, 16 de julho de 2011

Nunca fui uma brasa


Imagem por: ~meitanei

Agradeço ao senhor leitor
Por sempre ouvir os meus lamentos
Jesus Cristo é o senhor
Mas, de fato, nunca fui uma brasa

Não quero mais cansar teus ouvidos
Esqueça esse poeta que já foi lorde
E hoje é apenas um número de RG

Esqueça essa brasa e deixe-a
Apagar até não restar mais nada

Esqueça.

Por: Lima Júnior (Lorde Édito)