sábado, 30 de julho de 2011

Notas em Sangue


Imagem por: ~PeanutButterSocks

Caro leitor
Se vier aqui em busca de poemas melosos
Falando de uma musa inalcançável
Ou de uma frustração amorosa

Estará enganado.
Passe a página, vá assistir um seriado.

Eu não escrevo para agradar essa juventude frustrada
Buscando auxílio em falsos ídolos
Que nunca fizeram porra nenhuma por eles
Tampouco para agradar críticos literários
Que usam os livros para limparem suas bundas

Vim aqui para expressar todo o meu ódio perante a sociedade
Toda a minha angústia, todo o meu desespero
Em ver que a sociedade destrói aqueles que, como eu
São contrários a ela, não nadam conforme a correnteza

E eu não quero nadar a favor da correnteza!
Porque ela está infestada de lodo
Um lodo que afeta todos que nadam com ela
Todos nadam sem se questionar porque nadam
Todos estão se afogando nas águas da sociedade

Mas eu cuspo esse lodo ardente
Cuspo e digo "Não!" para todos que bebem deste lodo
Que mancham seus corações com as mazelas de uma sociedade transtornada
Uma sociedade que criou vida e come a vida das pessoas

Este poeta está cansado de falar e não ser escutado
Pois ele não diz o que todos querem
Não diz que tudo vai dar certo, que a sua transa vai ser boa
Que o dia de amanhã será sempre melhor
Porque no fim das contas, não será
Nunca será!


Por: Lima Júnior

2 comentários:

  1. Gostei MUITO do seu poema. Me identifiquei muito com ele... Não é nada fácil nadar contra a correnteza.

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  2. Escrevemos pra nos sentir leves.
    As vezes há um motivo, uma inspiração,
    mas as vezes é simplesmente pra sentir a liberdade que sucede o último ponto final, o virar de páginas...
    Afinal de contas, já dizia Charles Bukowski: Há sempre algo sobre o que escrever.


    Não sei se me dei conta disso pelo post referente ao livro de Schopenhauer, mas reparei na sua forma de escrever um pouco do pessimismo natural dele, tô certa? Não que isso seja ruim. Adoro Schopenhauer!
    Gosto do jeito como escolhe os temas dos poemas, fogem do clichê e vão de encontro a essa realidade que todo mundo vê, e sabe que existe, mas prefere ignorar e acreditar num amanhã sem rancor.
    Mas nunca será.

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