quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Julgado Sem Sentido

Imagem por: ~sam4q2

Ouço o som que vem das trombetas do infinito
Trazendo a novidade que desce das montanhas
Tão altas que me tornam um mero granito
Deixando-me trêmulo até as entranhas

Eis que o som invade os meus ouvidos
Cada nota é uma frase vinda do Julgamento
Avisando-me que cada um dos meus sentidos
Será destruído pela ordem do Firmamento

Eu nego! Mas tenho poucas horas de existência!
O próximo a perecer será o ato da fala
Mas antes que eu possa pedir clemência
Sinto uma força que facilmente me cala

Foge, moribundo! Tu ainda tens três!
Mas antes que eu possa correr
Minhas pernas, como quando caem os Reis
Dos seus tronos, fazem-me descer

E eu desço aos confins do inferno
Com toda aquela visão assustadora
Do pavor e do caos eterno
Sou facilmente cego pela força de outrora

Eis que me sobra apenas o olfato
E, para o único que não merece,
É dado para mim o castigo nato
Para todo poeta que perece

Deixaram-me na tormenta
De sentir o último aroma
Aquele sabor de menta
Que minha amada usou em Roma

Por: Lima Júnior

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