sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Críticas de um homem do terceiro milênio

Imagem por: ~YuriBeltran

O homem moderno senta todos os dias em frente ao computador, digita sem parar e nunca para pra pensar é um mísero escravo de suas próprias invenções. Escuta as músicas feitas para afastar suas ideias, age conforme lhe é ordenado. Os mais revoltados, reclamam sem sair do lugar, alguns até tentam, mas descobrem que são apenas peças do tabuleiro. Escutam músicas fora do padrão, algumas mais velhas que eles mesmos, mas não percebem que seus ídolos foram milhões de vezes mais livres e por isso jamais entenderão o significado das músicas, apenas balançam a cabeça achando que é legal, mas não sabem que o mundo está além das portas dos shopping centers.

 Somos todos escravos de nós mesmos. Não temos mais nenhum Vietnam, quer dizer, até temos, mas na nova era ao menos temos outras coisas pra nos distrair e deixar de lutar por algo. O negócio não é comer cu e boceta, mas se aquietar e deixar rolar. Crescemos vendo desenhos na televisão, mas esquecemos dos heróis e só nos lembramos da porrada.

Por: Lima Júnior

domingo, 25 de dezembro de 2011

Redundância

Imagem por: ~dybern

Enquanto eu aqui escrevo,
Novos planetas surgem,
Galáxias morrem,
Supernovas acontecem,
Cometas viajam,
A Terra gira ao redor do Sol,
Países entram em guerra,
Crianças morrem de fome
E eu apenas preocupado em ver teus olhos novamente...
Amor egoísta, eterna redundância.

Por: Lima Júnior

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um doce


Imagem por: *Edonist-Girl

 Um doce! Sim, você me disse naquela noite que eu era um doce, mas não imagina o quanto eu fiquei feliz ao ouvir da tua boca essa palavra de quatro letras. Pena que você não disse aquela outra palavrinha que faz qualquer um estremecer e tem a mesma quantidade de letras: amor.

 Mas não tem problema! Continuarei persistindo até que você troque doce por fofo, belo, ou qualquer outra palavra com quatro letras, até chegar à tão sonhada amor. Nem que seja para dizer que sou um amor, pois o que eu mais quero nessa vida é ouvir em alto e bom som as seguintes palavras saindo dos teus lindos lábios que me deixam maluco: você é o meu amor.

Por: Lima Júnior

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pós-Conceito

Europa apoiada pela África e América de William Blake

Disseram que no nordeste
Só tem seca, morte e peste
Mas é o povo do sudeste
Que aqui nas férias investe

Disseram que no Brasil
Nenhum índio jamais sorriu
Frente ao cano do fuzil
Morto pelo homem civil

Disseram que não existe raça
Mas quem sempre pegou na massa
Foi o negro que logo passa
No sinal pedindo uma graça

Por: Lima Júnior

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A minha última aula

Hoje foi o meu último dia de aula no colégio. Esse futuro incerto de universitário me consome em uma profunda depressão, a ânsia e o medo de uma nova vida percorrem minhas veias mais que o meu próprio sangue. Sentirei saudades dos professores engraçados, amigáveis e até mesmo dos mais carrancudos e sonolentos. Também sentirei saudades da biblioteca, apesar de raramente alugar algum livro pela simples falta de vontade que me leva ao arrependimento máximo. Sentirei falta dos meus colegas, apesar de jamais ter falado com vários, no máximo conversado algumas palavras, mas que serviram para a formação da minha vida. Dos grandes amigos que agora não sei se irei vê-los com ao menos a metade da frequência que os via durante a escola, pois cada um seguirá o seu rumo e, mesmo a amizade mais forte, sofre com a distância; não acaba, mas sofre e muito.

Mas o que me fará mais falta será de mim mesmo. Sim, pois a cada ano eu mudo, sou um novo ser, homo sapiens mutabilis como todos os outros. E nesse último ano de colegial eu fui mais feliz, um ser mais humano e mais poético. Amei, sorri, brinquei e me diverti. Ao menos fingi isso tudo, guardando minhas lástimas apenas para mim nos momentos de solidão total, que apesar de durarem bastante tempo, foram apagados pelas pequenas e boas lembranças.

Obrigado a todos que me fizeram ser cada dia mais eu mesmo, que me fizeram ver que valeu a pena viver esses 365 dias do ano como se fossem apenas um, e que me fizeram ver que o grande desafio não é o vestibular, mas ser feliz.


Por: Lima Júnior