terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A despedida de um escravo do tempo

imagem por: ~SpellbinderImages

Eu dou os meus pulsos para o destino cortar
Pois ele é o dono dos meus grilhões
Faço o que ele manda sem me perguntar
Se isso é o certo, se há contradições

É tarde demais para pedir liberdade
Eu assinei papéis sem ler o contrato
Pior que a grande farsa da maioridade
Descobri que viver não é nada barato

Agora eu devo me conformar com o destino
A sorte me guiará ao meu funeral
Seguindo sempre o som do sino
Que ecoa em minha vida até o final

Adeus! E obrigado pela boa recepção
Foi bom enquanto durou, mas devo partir
Por favor, tome conta do meu coração
Ele é puro demais para comigo sucumbir

Por: Lima Júnior

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Geração Copy & Cola

Imagem por: ~Jeevay

Meus heróis morreram de overdose
Enforcados, suicidas, traídos
Eu sei, é foda, é dose
Mas hoje os grandes estão caídos

O tempo passa e o progresso é rotulado
Aos moldes do século vinte e um
Não existe mais algum lado
Hoje tudo é nenhum

Quantos morreram para alcançar a paz
E agora nós pisamos em suas ideologias
Ao nos abaixarmos sem pedir mais
Vivendo nessa falsa democracia

Estamos nos acostumando a tudo
Acomodados na geração copy e cola
Onde ganhamos tudo sem falar, estamos mudos
Já não importa se o mundo é uma bola

É hora de acordar, antes que seja tarde
Largue aquilo que vem fácil às suas mãos
Quebre as portas, cerre suas grades
A ordem não é progresso, é alienação

Por: Lima Júnior

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mente vazia, oficina do poeta

Imagem por: ~deliimon

 O cinzeiro está lotado. Não de pontas de cigarro, mas de papéis amassados, sinal de um escritor frustrado, na ânsia de conseguir escrever, mas nada que preste lhe vem à mente. Todos são como grandes poetas: Nos últimos momentos de clímax, conseguimos expelir nossos sentimentos como num gozo infinito, trazendo à tona o que somos por dentro.

 Essa é a grande sina de todo ser humano: precisamos viver ao ponto de criar nossa obra prima. Que sentido haveria em morrer sem deixar suas marcas na areia da história? Os fracassados agonizam eternamente na morte; enquanto os vitoriosos, aqueles que conseguiram deixar algo para o futuro, morrem com um sorriso estampado, na esperança de ter uma eternidade menos dolorosa.

 Amasso novamente mais um papel. Está tudo errado. É isso que realmente quero? Ou melhor, é isso que queremos? Há algum sentido nessa guerra psicológica de morrer deixando vestígios da alma que outrora habitara esse chão? Talvez ainda é cedo demais para saber. Poetas precoces sofrem precocemente...


Por: Lima Júnior

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Em nome da poética

Imagem por: ~TearingAway7

As dores de Cristo reduzidas pelo crucifixo
Carregado pelos vários peitos dos fiéis
Enquanto rimo evito ser prolixo
A poesia é o que me faz ganhar meus réis

Não me sustendo com a fé dos outros
Tampouco através da justiça cega
Podem me achar um daqueles loucos
Mas sou homem que pelo mal não se apega

Sou alvo frequente das rasteiras
Que os oportunistas dão na vida
E desses caras o mundo faz fileiras

Tamanha a quantidade, minha querida
Eu lhe digo que não me deixo influenciar
Pelas ruins marés que a vida nos faz aceitar

Por: Lima Júnior