quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Lápide dos Aflitos

Imagem por: ~Diabos

Perdi tudo o que eu amava
Hoje só me resta o desespero
As alegrias que eu criava
Morreram e já fiz o enterro

Houve um tempo em que tive fé
Acreditei num futuro melhor
Mas agora, que eu ando a pé
Não creio que tenha algo pior

Você que hoje está sorrindo
Tome cuidado com o amanhã
O que era bom, agora está partindo
E da vida deixei de ser fã

Exilei-me dentro de uma cova
Esperando a morte me cumprimentar
Mas a sua chegada? Uma ova!
Ela me deixou sozinho a esperar...

Por: Lima Júnior

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Eu queria ser o Asa Noturna



 Eu queria ser o Asa Noturna. Isso mesmo. Para quem não sabe, Asa Noturna é a identidade de Dick Grayson, o primeiro Robin nos quadrinhos do Batman, que resolveu viver sua carreira de herói solo, agora como Asa Noturna, longe do Batman. E por que ser um Dick Grayson da vida? Simples:

 Mesmo tendo o Batman como um segundo pai, que lhe acolheu nos momentos difíceis, uma hora Dick cansou de ser um simples pau mandando. Porque não somos obrigados a obedecer cegamente aquele que nos sustenta, não devemos ignorar nossa conduta, nossos ideais, para seguir ideais diferentes somente pelo fato do assistencialismo. Dick Grayson, o Asa Noturna, é um verdadeiro herói, pois ele teve coragem de sair debaixo do manto do Batman, gritar sua independência e hoje viver quem ele realmente é: Asa Noturna.

 Queria eu ter essa coragem, queria eu ter voz e gritar pela minha independência. Quero me enterrar sozinho, para não ter que depender de ninguém no meu enterro. De hoje em diante, já sei o que quero da vida: Quero ser o Asa Noturna. 

Por: Lima Júnior

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cântico do Velório

At Eternity's Gate - Van Gogh

Naquela doce tuberculose
Que me dá ânsias de morrer
Lembro-me dos meus verdadeiros amigos
Os vermes que hão de me roer

Esqueço as coisas boas da vida
Porque sei que nunca existiram
A tosse é a minha última companhia
As minhas esperanças nunca riram

Não sou obrigado a me adaptar
Ainda sim me sinto apedrejado
A felicidade é tão ilusória
Um sentimento sempre forjado

Não tenho em quem votar
Não sei qual é o meu protesto
Nunca descobri meu ideal
Sempre me senti o resto

Escrevo como minha escapatória
Minha mente é a oficina do diabo
Por favor, não me subestime
Da panela sou apenas o cabo

Se lhe serve de consolo
Às vezes finjo que sou feliz
Pra escapar da ladainha:
Sente aquilo que sempre quis

Seja Lúcifer ou Jesus
Sempre servi às flores do mal
Hoje não me arrependo
De ser assim tão desigual

Meu único arrependimento
Foi esquecer-se de sorrir na hora certa
Agora vivo de lábios falsos
Na solidão que me aperta.

Por: Lima Júnior