quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cântico do Velório

At Eternity's Gate - Van Gogh

Naquela doce tuberculose
Que me dá ânsias de morrer
Lembro-me dos meus verdadeiros amigos
Os vermes que hão de me roer

Esqueço as coisas boas da vida
Porque sei que nunca existiram
A tosse é a minha última companhia
As minhas esperanças nunca riram

Não sou obrigado a me adaptar
Ainda sim me sinto apedrejado
A felicidade é tão ilusória
Um sentimento sempre forjado

Não tenho em quem votar
Não sei qual é o meu protesto
Nunca descobri meu ideal
Sempre me senti o resto

Escrevo como minha escapatória
Minha mente é a oficina do diabo
Por favor, não me subestime
Da panela sou apenas o cabo

Se lhe serve de consolo
Às vezes finjo que sou feliz
Pra escapar da ladainha:
Sente aquilo que sempre quis

Seja Lúcifer ou Jesus
Sempre servi às flores do mal
Hoje não me arrependo
De ser assim tão desigual

Meu único arrependimento
Foi esquecer-se de sorrir na hora certa
Agora vivo de lábios falsos
Na solidão que me aperta.

Por: Lima Júnior

Um comentário:

  1. mah, vai se foder, vai ser foda assim noutro canto do mundo mermããão...

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