terça-feira, 30 de julho de 2013

infinite sadness

Imagem por: ~ThanatosofNicte

eu vivo
entre partidas
e tetos estranhos

sem saber
quando verei novamente
aquela pessoa
que me cativou

e dormindo
entre paredes
que me são estranhas
na angústia de não saber
o amanhã

acordo
lavo o rosto
faço a barba
e aquele rosto em frente ao espelho
não diz quem eu sou

viro as páginas
daquele livro chato
mudo os canais
tudo o mais do mesmo
escuto aquela música
que já não faz mais sentido para mim
bebo cana
já não fico mais bêbado

qual a saída disso tudo
se todas as portas
dão direto para o muro?

por: Lima Júnior

quinta-feira, 11 de julho de 2013

rosa da paixão

Imagem por: *Tyshea

Acordo com suas mensagens de amor
estampadas na tela do meu celular
Levanto da cama
com sorriso nos lábios
Vencendo a preguiça de caminhar

Você me disse
naquela manhã de domingo
Que as flores estão mais coloridas
Com os agrotoxicos não regulamentados
Mas em contrapartida,
as vidas são mais doloridas

Olho para o relógio
a cada cinco minutos
esperando o dia
de te ver novamente
cansado de não poder
tocar em seu rosto
entre o vai e vem do cotidiano
sigo a rotina
com você em minha mente

quase rasguei meus olhos
com a rosa da paixão
que te dei na semana passada
cego pelo amor que tenho por ti
escondi de você meu coração
machucado por antigas facadas

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Crônica de uma noite comum de uma cidade qualquer

Imagem por: ~datto-machavariani

 É noite, conto as estrelas no céu, sentado na varanda. O ato de olhar para as estrelas é uma das efemeridades de uma vida fadada ao caos e ao desacreditar da sociedade. O homem para ser humano necessita viver em sociedade. Do contrário, ele não passa de um homo sapiens. Dos vários moldes que não me encaixo, esse é mais um. Vivo na linha tênue entre a sociabilidade e a exclusão, andando por cima de uma corda bamba. Pra qual lado cairei?
 O vizinho fuma charuto e sua fumaça chega ao meu nariz. É um cheiro doce, viciante, tentador. Tenho vontade de bater na porta e pedir um trago. Contento-me com um copo d’água. Calço as chinelas, visto uma camisa e desço as escadas lentamente, devido ao escuro. A lâmpada está queimada. Faz um frio imenso, me arrependo de não ter calçado umas meias. Já é tarde, estou na rua.  
 Algumas nuvens se formam, ameaçando uma chuva em breve. Ignoro o aviso e sigo caminhando, com os pés trêmulos de frio. Passo por uma esquina e um brilho rápido e pequeno me chama a atenção. Quase paro, mas entendo que aquilo era o brilho de um isqueiro aceso. Um homem sentado na calçada de um restaurante fechado tenta acender um cachimbo. Crack. Atravesso a rua, olhando reto, sem desviar para o homem e jogo meu isqueiro para ele, saindo sem dar tempo para agradecimentos. Ando sempre com um isqueiro, mesmo que eu não fume, mas serve para conquistar sexualmente pessoas que fumam.
 A música da cidade é uma sinfonia de sirenes de ambulância e buzinas de carro, com leves toques de freada de pneus em certos momentos do concerto. Como um farol, o outdoor luminoso parece me guiar até o shopping. Posso vê-lo de uma longa distância. Ao me aproximar, sinto como fosse banhado pela luz do dia, porem de uma artificialidade peculiar. Sento na calçada, observando os carros passarem.
  Um senhor desce do ônibus, jogando primeiro suas bolsas para fora do veículo. Depois, desce com cuidado, auxiliado por um cabo de vassoura velho e gasto. O motorista, impaciente, fecha a porta, prendendo o cabo, enquanto o veículo começa a mover-se novamente. Com rapidez, o homem puxa o cabo a tempo, sem antes deixar de falar alguns palavrões para o motorista, que a esta altura já não poderia ouvi-los.

  Ratos correm pelos bueiros da cidade. Uma senhora de aparência frágil me pede esmolas e dou as poucas moedas que havia em meu bolso. Volto para casa, não suportando tanta sociedade em uma noite apenas. Subo as escadas e escuto o vizinho brigando com a mulher, pelo telefone. É, a noite será longa. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

mais do mesmo

Imagem por: ~CupcakeRemix

Primeiro dia
do mês de julho
e eu estou
bêbado
sozinho
deitado
sobre uma pilha de revistas
e embalagens de biscoito

Pensando na vida
e percebendo
o quanto é ruim
ser capricorniano

alguns buscam sentidos
cabalísticos
sobre o primeiro dia de um mês
a lua minguante
com o sol sobre a casa do caralho
mas eu só quero
o meu almoço

meus amigos dizem
que eu sou uma fraude
mas o que posso fazer
quando não sei mais
nem quem eu sou?

Todos os dias
são assim
sempre
o mais do mesmo